Em Parauapebas, no sudeste do Pará, mulheres têm se destacado na promoção de negócios sustentáveis, com iniciativas que incluem a produção de mel, cerâmica e biojoias feitas a partir de sementes. Essas empreendedoras têm demonstrado que é possível unir a realização pessoal à valorização cultural da região, preservando a floresta e gerando renda.
Vivendo nas proximidades da Floresta Nacional de Carajás, essas mulheres utilizam materiais coletados em seu entorno para suas produções, o que também as ajuda a conquistar independência financeira e um papel de destaque em suas comunidades.
Um exemplo de sucesso é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA), que atua há cerca de dez anos. Ela promove a apicultura e meliponicultura, contribuindo para a preservação do meio ambiente e criando novas alternativas de renda. Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras, relatou: “A gente só sabia passar e cozinhar, mas quando essa ideia surgiu, abraçamos. Isso nos transformou.”
Valorizando o papel das mulheres, a AFMA é composta atualmente por 23 famílias, onde a gestão financeira e a produção dos produtos são predominantemente conduzidas por mulheres. “Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, afirma Ana Alice.
Nos últimos anos, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil foram liderados por mulheres, segundo dados do Sebrae, evidenciando o crescente empoderamento feminino no mercado. No Pará, embora as mulheres representem 37,6% dos novos pequenos empreendimentos, elas frequentemente enfrentam obstáculos maiores, como acesso ao crédito e gerenciamento do tempo.
A Associação Preciosidades da Amazônia também se destaca ao transformar sementes em biojoias. O trabalho impacta não apenas economicamente, mas também melhora as condições sociais e emocionais das participantes. Elas aprenderam a reconhecer a natureza como um verdadeiro tesouro que pode prover sustento.
Além disso, o Centro Mulheres de Barro, formado por ceramistas, busca resgatar a memória ancestral da região, utilizando sobras de argila de construções como matéria-prima. Assim, as participantes não apenas aprenden a fazer cerâmica, mas também promovem a sustentabilidade.
Essas iniciativas exemplificam como empreendimentos liderados por mulheres na Amazônia são fundamentais para construir uma economia mais sólida e sustentável. Há um reconhecimento crescente da importância dessas mulheres, tanto em termos financeiros quanto na preservação das tradições e do ambiente.