As negociações a respeito do Anexo C do Tratado de Itaipu entre Brasil e Paraguai buscam uma redução na tarifa de energia da usina hidrelétrica a partir de 2027. O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, confirmou a informação durante uma coletiva na sede da empresa, em Foz do Iguaçu (PR), na segunda-feira (13).
"A ideia é que, no máximo em dezembro deste ano, possamos anunciar a tarifa para o ano que vem ou para os próximos anos. Porém, a partir do ano que vem, seremos a menor tarifa do país", afirmou Verri.
Verri ressaltou que a ata assinada em 2024 entre Brasil e Paraguai define que a tarifa da energia da hidrelétrica levará em conta apenas os custos operacionais, situando-se entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt/mês. O Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) da Itaipu para 2024 a 2026 foi estipulado previamente em US$ 19,28 kW/mês, enquanto a tarifa praticada pelo Brasil é de US$ 17,66 kW/mês, devido a subsídios temporários.
A estrutura tarifária atual, vigente até dezembro, é fruto de um acordo temporário. As discussões para uma nova modelagem tarifária já estão em andamento, envolvendo autoridades de ambos os países.
O Tratado de Itaipu, firmado em 1973, prevê que após 50 anos ocorra a revisão do Anexo C, que regulamenta as tarifas e a prestação de serviços da usina. A energia gerada é dividida igualmente entre Brasil e Paraguai, mas o país vizinho não consome toda a sua cota, o que gera interesses distintos nas negociações.
Com 20 unidades geradoras, cada uma com 700 megawatts, a Itaipu é uma das maiores hidrelétricas do mundo, respondendo por 8% da energia consumida no Brasil. A usina ainda passa por um processo de atualização tecnológica que se estende até 2035, com investimentos em modernização de equipamentos eletrônicos e sistemas de controle.
"A política pública que defendemos é a redução no custo da energia, promovendo inclusão social e beneficiando famílias e indústrias", finalizou Verri.