A Petrobras reafirmou seu interesse em recomprar a Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada em 2021. A confirmação ocorreu por meio de um ofício à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na última terça-feira (24). Na segunda-feira (23), a CVM questionou a estatal após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a intenção de recompra. A fala do presidente foi feita em evento na Refinaria Gabriel Passos, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Posição da Petrobras
Em resposta ao ofício, a Petrobras informou que "analisa continuamente oportunidades de investimentos e negócios, incluindo a compra da Refinaria de Mataripe S.A.". A estatal ressaltou que a intenção já havia sido mencionada em comunicados anteriores. Porém, informou que não há informações adicionais relevantes a serem divulgadas. "A Petrobras reforça seu compromisso com a transparência e manterá o mercado informado sobre qualquer fato relevante", conclui a resposta à CVM.
Informações sobre a Refinaria
A Refinaria Landulpho Alves é a segunda maior do Brasil e localiza-se no distrito de Mataripe, em São Francisco do Conde, na região metropolitana de Salvador. Inaugurada em setembro de 1950, foi a primeira do país. Em 2021, a refinaria foi adquirida pela Mubadala Capital, representando os interesses do fundo de investimento do governo de Abu Dhabi, criando a empresa Acelen para a gestão da unidade.
Mataripe possui capacidade de refinar 300 mil barris de petróleo por dia, correspondendo a 14% da capacidade total de refino no Brasil. A refinaria produz diversos produtos, como óleo diesel, gasolina, querosene de aviação, asfalto e gás de cozinha.
Contexto Político
A menção de Lula à recompra da refinaria está inserida em um contexto onde o governo busca controle sobre os preços dos combustíveis, particularmente o óleo diesel, em face da guerra no Irã, que afeta a produção e transporte de petróleo globalmente. "Pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar", disse o presidente.
O governo também critica a privatização ocorrida no período presidencial anterior, que incluiu a venda da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, à Vibra Energia, que mantém a mesma marca até 2029, apesar de não ser mais proprietária dos postos.