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15h50 17 Maio 2026
Atualizada em 17/05/2026 às 15h50

Luta de Luiz Gama contra racismo inspira ações, arte e pesquisa

Por Redação TV KZ

No Teatro dos Bancários, em Brasília, o ator Déo Garcez interpretou o advogado e jornalista Luiz Gama (1830 - 1882), proferindo a frase: “A liberdade e a igualdade não são privilégios e sim direitos de qualquer pessoa”, ecoando essas palavras junto ao público. O espetáculo intitulado Luiz Gama: uma voz pela liberdade trouxe reflexões importantes sobre igualdade e direitos humanos.

Na última semana, marcando os 138 anos da abolição da escravatura no Brasil, o evento destacou o legado de Luiz Gama e sua luta contra o racismo, que permanece atual e relevante. O ator, que também é autor do texto do espetáculo, busca sensibilizar o público sobre a importância da conscientização e do combate ao preconceito.

“A arte não tem apenas o papel de entreter, mas também de trazer questões importantes à tona para discussão e transformação”, declarou o ator.

Durante o debate, o sociólogo Jessé Souza enfatizou que a escravidão persiste por meio de símbolos e ideias na sociedade contemporânea. Ele apontou que o pensamento, e não apenas ações, é fundamental na luta contra o racismo. “O racismo é a alma desse país”, afirmou.

Luiz Gama, um dos principais defensores da abolição, também é reconhecido por sua atuação na imprensa e na área jurídica, onde libertou mais de 500 pessoas antes da abolição legal. Os pesquisadores destacam que suas lutas para a liberdade e a igualdade foram fundamentais e representam um caminho para a conscientização atual.

A Unesco está promovendo o reconhecimento dos manuscritos de Gama como Patrimônio Documental da Humanidade, evidenciando sua contribuição na luta pela liberdade. O acervo inclui cartas de emancipação e documentos judiciais que corroboram sua atuação.

Entre as realizações notáveis de Gama, destacou-se quando, após a morte de um senhor de engenho que deixou em testamento a liberação de 217 escravizados, ele conseguiu libertar 130 deles com base na lei. Gama também alertava sobre a importância da imprensa na luta por justiça e equidade.

O pesquisador Artur Antônio dos Santos Araújo reforçou que a escravidão no Brasil era sustentada por um sistema jurídico complexo, que Luiz Gama soube contestar, utilizando as próprias leis para alavancar a liberdade.

O legado de Luiz Gama serve como inspiração para a luta contra a desigualdade e o racismo nos dias atuais, instigando cidadãos a não perder a consciência de sua origem e a permanecerem vigilantes contra injustiças.

Garcez, ao assumir o papel de Gama, expressou a importância de resgatar essas histórias para promover uma reflexão contínua sobre a luta antirracista e a valorização da herança africana na formação da identidade brasileira.

“O conhecimento liberta e conscientiza. É nosso dever lutar contra a naturalização da desigualdade e da desumanização dos corpos”, concluiu Garcez, reforçando a necessidade de uma conscientização coletiva e individual na busca por um mundo mais justo.

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