Justiça
15h20 24 Fevereiro 2026
Atualizada em 24/02/2026 às 15h20

Justiça mantém condenação da Volkswagen por trabalho escravo

Por Redação TV KZ

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8) confirmou a condenação da Volkswagen por trabalho escravo contemporâneo durante a ditadura civil-militar na Fazenda Vale do Rio Cristalino, em Santana do Araguaia (PA). Com a decisão, a montadora deverá pagar R$ 165 milhões em indenização, que será destinado ao financiamento de medidas de proteção aos trabalhadores, incluindo o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A condenação anterior havia sido imposta em agosto do último ano, e a Volkswagen recorreu, tentando reverter a decisão. Durante a sessão do dia 24, o desembargador Carlos Zahlouth Júnior comentou sobre a proteção aos oponentes do regime de 1964, destacando a participação de empresários nesse contexto de repressão.

A desembargadora Alda Maria de Pinho Couto enfatizou a sistemática violação dos direitos dos trabalhadores, caracterizando-a como um "sistema organizado de exploração humana". A Fazenda Vale do Rio Cristalino, que abrangia cerca de 140 mil hectares, recebia incentivos fiscais para criação de gado, aumentando a responsabilidade da Volkswagen sobre as violações de direitos.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) tem colaborado com a coleta de provas e apoiado os trabalhadores em busca de justiça, enquanto, em outro processo, quatro trabalhadores reivindicam R$ 1 milhão cada por danos morais e existenciais. Os trabalhadores foram abordados por intermediários que prometeram empregos dignos, mas não cumpriram as promessas.

Em resposta à condenação, a Volkswagen afirmou que continuará buscando segurança jurídica nas instâncias superiores do Judiciário. A empresa reafirmou seu compromisso com os direitos humanos e com um ambiente de trabalho ético. Além disso, seu relatório financeiro do primeiro semestre de 2025 revelou um faturamento de 158,4 bilhões de euros, apesar de um desempenho inferior ao do ano anterior.

VEJA TAMBÉM