A Mosaic Fertilizantes anunciou oficialmente nessa quarta-feira (8) o encerramento das atividades de produção de fosfato em suas unidades de Araxá/MG e Patrocínio/MG. A decisão da multinacional norte-americana de interromper a extração e o processamento de fosfato nessas plantas deve-se, principalmente, à inviabilidade econômica gerada pela alta global dos custos de produção. O encarecimento do enxofre (insumo indispensável para o setor) e a baixa concentração de minério nas reservas locais tornaram a operação menos competitiva em comparação aos fertilizantes importados, levando a empresa a optar pela paralisação definitiva e venda dos ativos para reduzir perdas financeiras.
A unidade de Araxá, que já operava com restrições desde o fim do ano passado, terá suas atividades encerradas de forma definitiva. Mais do que uma simples paralisação, a Mosaic confirmou que o Complexo Mineroquímico de Araxá foi colocado à venda. O objetivo é encontrar um investidor interessado em assumir a planta de superfosfatados simples (SSP), que é uma das maiores do país.
Em Patrocínio, a mineradora decidiu suspender as operações de extração de fosfato. Contudo, a unidade não será totalmente desativada. Segundo a nota oficial, a Mosaic continuará investindo no projeto de nióbio, que está em fase avançada de análise técnica. A empresa busca diversificar suas receitas diante da baixa rentabilidade atual do fosfato, pressionada pelos altos custos operacionais.
De acordo com o comunicado oficial, a medida deve reduzir a produção anual de fosfato da empresa no Brasil em cerca de 1 milhão de toneladas (aproximadamente 27% de sua capacidade nacional).
"Essas ações resultarão em redução da força de trabalho em ambos os locais", afirmou a empresa em nota, confirmando que haverá demissões nas duas cidades mineiras.
A Mosaic prevê um impacto contábil de até US$ 400 milhões neste primeiro trimestre de 2026 devido a baixas de ativos e custos de rescisões, mas espera economizar cerca de US$ 80 milhões anuais em despesas operacionais com a saída dessas praças.
Apesar da saída operacional, a Mosaic garantiu que manterá equipes técnicas para a gestão ambiental e o monitoramento das barragens de rejeitos em Araxá e Patrocínio, assegurando o cumprimento de todas as normas de segurança vigentes para evitar riscos às comunidades locais.