Eventos sísmicos com a magnitude registrada na região de Araxá/MG são considerados menos comuns no território brasileiro, segundo avaliação de Bruno Collaço, sismólogo do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). O alerta vem após um tremor de terra de magnitude preliminar 3.9, registrado pela Rede Sismográfica Brasileira, na noite de sexta-feira (12), às 22h10, próximo ao município de Araxá/MG.
Segundo Bruno Collaço, tremores com magnitude entre 2 e 3 ocorrem praticamente todas as semanas em alguma região do país e, na maioria das vezes, passam despercebidos pela população. Já eventos com magnitude mais elevada, como o registrado na região de Araxá, são menos frequentes, ocorrendo, em média, cerca de duas vezes por ano no Brasil. Ainda conforme o sismólogo, Minas Gerais é o estado com o maior número de abalos sísmicos registrados, em razão das pressões geológicas que atuam na crosta terrestre, o que explica a recorrência desse tipo de fenômeno no estado. Do ponto de vista da escala Richter, tremores com magnitude entre 3 e 4 são classificados como pequenos, mas podem ser sentidos pela população, geralmente sem causar danos estruturais.
O abalo foi registrado por estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da USP. A RSBR é coordenada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI), com apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), responsáveis pelo monitoramento da atividade sísmica no território nacional.
A reportagem da TV KZ recebeu relatos da população informando que o tremor foi percebido em Ibiá/MG, Campos Altos/MG, Medeiros/MG, Nova Ponte/MG, Sacramento/MG, Santa Juliana/MG, Perdizes/MG, Santa Rosa da Serra/MG, Pratinha/MG, Tapira/MG, Tapiraí/MG e Uberaba/MG. Os relatos indicam que algumas pessoas sentiram o tremor ou perceberam algum tipo de barulho no momento do ocorrido. A reportagem destaca que a percepção do abalo não ocorre de forma uniforme, ou seja, o fato de haver registros em um município não significa que toda a população tenha sentido o tremor, nem que ele tenha sido percebido em toda a área do município, podendo ocorrer de forma localizada, em pontos específicos, tanto na área urbana quanto na zona rural.
Poucas horas após o ocorrido, a Prefeitura de Araxá divulgou uma nota oficial informando que o município, em conjunto com a Defesa Civil, confirmou a ocorrência do tremor de terra. Segundo o comunicado, até aquele momento não havia registro de danos materiais ou estruturais em decorrência do abalo.
Ainda conforme a prefeitura, a Defesa Civil segue monitorando e acompanhando a situação, e orientou a população a manter a calma. O município também alertou para a circulação de áudios e informações falsas, pedindo que a população não compartilhe conteúdos não oficiais.
O Corpo de Bombeiros informou, também por meio de nota divulgada poucas horas depois, que não houve acionamentos relacionados a vítimas nem registros de danos a imóveis em decorrência do tremor.
O último tremor de terra registrado em Minas Gerais antes desse evento ocorreu no dia 3 de dezembro, no município de Pimenta/MG, com magnitude 2.2. Especialistas reforçam que tremores de terra não podem ser previstos, não sendo possível afirmar se novos abalos ocorrerão.