A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou, nesta segunda-feira (27), a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil. Embora tenha havido uma queda de 28% nas ocorrências de conflitos, totalizando 1.593 em 2025, os assassinatos de trabalhadores e de povos da terra, das águas e das florestas saltaram de 13 para 26 vítimas no ano passado.
A maior parte dos assassinatos ocorreu na Amazônia Legal, com 16 casos, sendo sete no Pará, sete em Rondônia e dois no Amazonas. Larissa Rodrigues, integrante da Articulação das CPTs da Amazônia, analisou que os dados evidenciam o avanço de um projeto histórico de expansão colonial sobre a região, transformando povos e territórios em alvos de expropriação e extermínio.
O relatório ainda aponta que 20 dos 26 assassinatos foram atribuídos a fazendeiros, que atuaram seja como mandantes ou executores. Além disso, a CPT registrou um aumento significativo em outros tipos de violência, como as prisões, que cresceram de 71 para 111, e casos de humilhação, que passaram de cinco para 142.
Considerando todos os tipos de conflitos, a violência por terra apresenta o maior percentual, com 75% (1.186 casos), seguida pelos conflitos trabalhistas (10%) e pela água (9%). Os principais casos de violência incluem contaminação por agrotóxicos, invasões e pistolagens, sendo os povos indígenas as principais vítimas.
O relatório também destaca um aumento de 5% nos casos de trabalho escravo ou análogo à escravidão, totalizando 159 em 2025, além de um crescimento de 23% no total de trabalhadores resgatados nesta condição, que chegou a 1.991. Os setores mais afetados incluem a construção de usinas, lavouras, cana-de-açúcar, mineração e pecuária.
Juntamente com o relatório, a CPT lançou o Observatório Socioambiental, que coletará dados sobre violações de direitos humanos e desmatamento, com o objetivo de traçar a relação entre a produção de commodities e os conflitos socioambientais no Brasil.