A excessiva oferta e a diminuição da demanda estão provocando uma queda acentuada nos preços do cacau. Na Bolsa de Nova York, a cotação da amêndoa despencou 65,6% em menos de dois anos, passando de US$ 10.945,62 por tonelada em 28 de maio de 2024 para US$ 3.761,26 na última terça-feira (10).
O acúmulo de estoques em regiões produtivas, como Costa do Marfim e Gana, aliado à retração da demanda, explicam essa queda acentuada. No Brasil, esse contexto resultou em manifestações públicas. Em janeiro, a Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia emitiu uma nota denunciando o excesso de importações de cacau, principalmente da África. Esse movimento contou com apoio de sindicatos locais, levando produtores e trabalhadores a interditar rodovias em protesto contra os baixos preços e alegados esquemas de cartel.
Segundo Maria Goretti Gomes, coordenadora de projetos da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa/Senar), houve uma inversão de fluxo nos últimos anos. “Até meados de 2025, o mercado passou de um déficit extremo para uma fase de reequilíbrio. Até 2026, ocorrerá o oposto, com preços caindo devido ao excesso de oferta e à baixa demanda mundial”, disse.
Ainda segundo ela, a queda nas cotações é acentuada pelo deságio que os compradores aplicam sobre o cacau brasileiro. “Isso faz com que nossos preços fiquem cada vez mais baixos. O produtor está gastando muito mais para produzir, e o lucro é mínimo, o que leva muitos a reconsiderar a continuidade na cultura, causando preocupação no setor”, ressaltou.
Atualmente, uma das principais lutas do setor é manter a competitividade, persuadindo o governo a interromper a importação de cacau, que entra no país sem a incidência de impostos.