Economia
19h40 20 Fevereiro 2026
Atualizada em 20/02/2026 às 19h40

Bessent defende gastos de empresas em IA e descarta preocupações com crédito privado nos EUA

Por Laís Adriana Fonte: Estadão Conteúdo

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, defendeu nesta sexta-feira, 20, os gastos de empresas americanas com inteligência artificial (IA) e descartou preocupações com o setor de crédito privado, ao responder perguntas em evento do Clube Econômico de Dallas.

Bessent afirmou que foram os investimentos de empresas de tecnologia que impulsionaram os gastos de capital (capex, em inglês) dos EUA no ano passado, com reflexos positivos sobre o crescimento econômico e o mercado de trabalho. "O boom de capex costuma levar a aumento nos números de empregos, e grandes empresas, como a Microsoft, conseguem aguentar o peso desses gastos", ponderou, acrescentando que está otimista sobre a economia americana.

O secretário também comentou que a parcela de IA no crescimento do PIB dos EUA não parece desproporcional, com base em dados da série histórica.

Em relação ao crédito privado, Bessent afirmou que o setor também tem contribuído para a economia americana, mas, embora tenha descartado preocupações imediatas, ressaltou que monitora desdobramentos de perto. "No Tesouro, somos responsáveis por criar as regras que regulam o crédito privado e por identificar os riscos", disse.

Questionado sobre como o governo poderia regular o setor, o secretário foi cauteloso ao ponderar que não é possível controlar "totalmente" os riscos. "Mas podemos regular o acesso de investidores a determinados fundos e criar regras para empréstimos. Por exemplo, pode não ser recomendável que uma private equity faça empréstimo de outra, são coisas que temos que avaliar", disse.

Bessent ainda defendeu que as regras para o setor bancário precisam ser ajustadas para permitir o crescimento e boa performance dos pequenos bancos. "Só assim grandes bancos também terão boa performance", afirmou.

Sobre a dívida dos EUA, o secretário disse que a melhor forma de reduzi-la pode ser aliar o crescimento econômico a algum nível de austeridade fiscal, mas evitou comentar em detalhes.

Bessent aproveitou o evento para comentar o programa Trump Accounts, que propõe funcionar como uma poupança dinâmica para jovens americanos envolvendo investimentos no mercado acionário. "Quase 40% dos americanos não possui exposição ao mercado acionário dos EUA. Trump Accounts fará com que famílias acompanhem o mercado de perto", disse, acrescentando que este será o programa social "mais importante desde a seguridade social". "Pessoas que participam do sistema não querem derrubá-lo."

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