Economia
14h40 16 Janeiro 2026
Atualizada em 16/01/2026 às 14h40

Bowman, do Fed, vê riscos no mercado de trabalho dos EUA que podem levar a corte de juros

Por Darlan de Azevedo e Laís Adriana Fonte: Estadão Conteúdo

A vice-presidente para supervisão do Federal Reserve (Fed), Michelle Bowman, afirmou nesta sexta-feira (16) que o BC dos EUA deve estar pronto para ajustar a política monetária diante de um mercado de trabalho considerado "frágil" e que pode continuar a se deteriorar, o que seria um "risco" para o banco central.

"O emprego pode parecer estável até o momento em que deixa de ser", disse Bowman em declarações preparadas para um evento em Massachusetts. "Também devemos evitar sinalizar que faremos uma pausa na taxa de juros sem identificar que as condições econômicas mudaram", acrescentou.

Ela ainda disse que os riscos em relação ao mercado de trabalho estão superando as preocupações com a inflação. Segundo Bowman, as pressões inflacionárias tendem a arrefecer à medida que o impacto das tarifas comerciais for diminuindo, com a inflação agora mais próxima da meta de 2% do Fed.

"Vejo progresso gradual na inflação em direção à meta, apesar de ainda elevada", disse Bowman. "Minha expectativa básica é que a atividade econômica continue a se expandir a um ritmo sólido e que o mercado de trabalho se estabilize próximo do pleno emprego à medida que a política monetária se torne menos restritiva".

A dirigente também expressou preocupação de que as empresas possam começar a demitir trabalhadores caso não haja melhora na demanda, apesar dos ganhos em produtividade com maiores investimentos e valorização de ações ligadas a inteligência artificial (IA). "Estou preocupada que notícias decepcionantes sobre os retornos dos investimentos em IA possam levar a uma correção acentuada nos preços das ações", disse ela.

Para Bowman, ainda não há sinais consistentes de que o mercado de trabalho esteja estabilizando, ao mesmo tempo em que gastos com consumo e investimentos tem diminuído nos últimos meses.

A dirigente lembrou que a redução dos juros americanos em 75 pontos-base (pb) desde setembro foi necessária para abordar riscos de danos maiores ao emprego, e reiterou que evidências sobre mercado de trabalho, inflação e atividade econômica continuam sendo "críticos" para futuros ajustes em 2026. Segundo ela, os dados definirão a política monetária e o timing apropriados.

Presente no mesmo evento, a presidente da distrital de Boston, Susan Collins, não comentou política monetária ou macroeconomia em seu discurso de abertura.

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