O mercado de trabalho dos Estados Unidos segue resiliente nos indicadores agregados, mas a dinâmica subjacente de contratação continua a perder força, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira, 19, pelo Institute of International Finance (IIF). Para 2026, o IIF avalia que o mercado opera próximo à "velocidade de estol": ainda cresce, mas com margem estreita.
Com a criação de empregos perto do nível de equilíbrio, choques modestos podem ser suficientes para levar a um aumento do desemprego, pontua.
No estudo 'Mercado de trabalho dos EUA estável apenas por aritmética', o instituto destaca que o avanço das vagas de 130 mil em janeiro e a leve queda da taxa de desemprego de 4,4% para 4,3% sugerem solidez à primeira vista. No entanto, ao se considerar toda a trajetória de 2025, o quadro é mais moderado.
De acordo com o IIF, a média mensal de criação de empregos no ano passado foi de cerca de 15 mil postos, bem abaixo da média superior a 100 mil observada em 2024. Além disso, revisões anuais e mensais reduziram de forma relevante o nível de emprego ao longo de 2025, indicando que os dados em tempo real estavam mais fortes do que o resultado final.
O instituto calcula que o ritmo necessário para estabilizar o desemprego gira em torno de 70 mil a 90 mil vagas por mês, patamar que vem diminuindo com a desaceleração do crescimento da força de trabalho. Assim, a estabilidade da taxa cheia refletiria, em parte, um ajuste "aritmético", e não necessariamente aceleração da demanda.
Outro ponto de atenção é a concentração das vagas. Desde o fim de 2024, os ganhos líquidos têm se concentrado em educação e saúde, com contribuição secundária do governo, enquanto setores industriais e segmentos de bens e serviços que podem ser negociados fora dos EUA mostram fraqueza.