Educação
18h10 12 Maio 2026
Atualizada em 12/05/2026 às 18h10

Unesco: matrículas no ensino superior mais que dobraram no mundo

Por Redação TV KZ

O total de estudantes matriculados no ensino superior em todo o mundo mais que dobrou nas últimas duas décadas, saltando de 100 milhões, em 2000, para 269 milhões, em 2024. Este dado representa 43% da população em idade de frequentar o ensino superior, normalmente entre 18 e 24 anos.

Apesar dessa significativa expansão, ainda existem profundas disparidades regionais. Enquanto 80% dos jovens da Europa Ocidental e América do Norte estão matriculados no ensino superior, esse percentual diminui para 59% na América Latina e no Caribe, 37% nos Estados Árabes, 30% no Sul e no Oeste da Ásia e apenas 9% na África Subsaariana.

As informações foram extraídas do primeiro relatório global da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre tendências do ensino superior, divulgado em Paris. O estudo abrange dados de 146 países.

As instituições privadas continuam a representar um terço das matrículas em nível mundial, tendo a maior participação na América Latina e no Caribe, onde 49% das matrículas são em instituições privadas. Em países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, quatro em cada cinco estudantes frequentam uma instituição privada de ensino superior. Entretanto, apenas um terço dos países estabelece legalmente a gratuidade do ensino superior público.

O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, destacou a crescente demanda por ensino superior global, que desempenha um papel crucial na construção de sociedades sustentáveis. Contudo, ele observou que essa expansão nem sempre resulta em oportunidades equitativas, enfatizando a necessidade de modelos inovadores de financiamento para garantir um ensino superior inclusivo e de qualidade.

No que diz respeito à mobilidade internacional, o relatório revela que o número de estudantes que realizam estudos no exterior quase triplicou, passando de 2,1 milhões, em 2000, para quase 7,3 milhões, em 2024, com metade deles na Europa e América do Norte. Apesar desse aumento, apenas 3% do total de estudantes mundiais se beneficiam da mobilidade internacional, com significativas disparidades regionais.

O relatório também indica que as mulheres superam os homens no ensino superior em âmbito global, com 114 mulheres matriculadas para cada 100 homens em 2024. A paridade de gênero foi alcançada em quase todas as regiões, exceto na África Subsaariana.

A Unesco atua para enfrentar os desafios de acesso ao ensino superior, especialmente para grupos sub-representados, através de iniciativas como o Passaporte de Qualificações, que visa reconhecer qualificações de pessoas refugiadas e deslocadas à força. Atualmente, essa ferramenta está sendo implementada em países como Iraque, Quênia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.

Enquanto isso, o investimento governamental no ensino superior representa, em média, cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global. A pressões sob as instituições de ensino superior reforçam a urgência de modelos de financiamento que assegurem um ensino inclusivo e de qualidade.

Conforme o relatório, a rápida expansão do número de estudantes nos últimos anos cria um desafio significativo para garantir padrões de qualidade no ensino e aumentar o acesso para grupos desfavorecidos, demandando financiamento equitativo e sustentável.

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