O fundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou nesta quarta-feira, 4, que se arrepende de "cada minuto" que passou com o financista Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual de menores.
"Me arrependo de cada minuto que passei com ele", disse Gates em entrevista exclusiva à emissora australiana Nine News. Esta foi a primeira vez que o bilionário se pronunciou sobre as acusações feitas contra ele após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar, na última sexta-feira, 30, novos arquivos relacionados às investigações envolvendo Epstein.
Os documentos indicam que Gates se encontrou com o financista mesmo após ele ter sido condenado e preso, em 2008, por exploração sexual e facilitação à prostituição de menores. Em um dos e-mail incluídos no material, Epstein sugeriu que o bilionário teria contraído uma infecção sexualmente transmissível e tentado esconder o fato de sua então esposa, Melinda French Gates.
"Jeffrey escreveu um e-mail para si mesmo, mas esse e-mail nunca foi enviado. O e-mail é, você sabe, falso. Então, não sei o que se passava na cabeça dele", afirmou Gates. "Isso só me faz lembrar de cada minuto que passei com arrependimento e peço desculpas por ter feito isso."
O bilionário negou qualquer envolvimento com os crimes cometidos por Epstein e disse que apenas participou de jantares, sem nunca ter ido à ilha do financista. "Nunca conheci nenhuma mulher. E então, sabe, quanto mais se fala disso, mais claro ficará que, embora aquele período tenha sido um erro, não teve nada a ver com esse tipo de comportamento", acrescentou.
As declarações de Gates foram dadas um dia após sua ex-mulher afirmar que ele precisava se manifestar sobre sua ligação com Epstein, exposta nos documentos divulgados na sexta-feira.
"Para mim, é pessoalmente difícil sempre que esses detalhes vêm à tona, sabe? Porque isso traz de volta lembranças de momentos muito, muito dolorosos do meu casamento", afirmou Melinda em entrevista ao podcast Wild Card, da rádio americana NPR. Os primeiros trechos da conversa foram divulgados na terça-feira, 3, mas a íntegra só será publicada na quinta-feira, 5.
"Quaisquer que sejam as perguntas que ainda existam - nem consigo começar a saber tudo - essas perguntas são para aquelas pessoas e até mesmo para o meu ex-marido", disse. "Eles precisam responder a essas perguntas, não eu."
Um porta-voz de Gates afirmou à NPR que as alegações feitas por Epstein são "absolutamente absurdas e completamente falsas". "A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e até onde ele chegaria para armar uma cilada e difamá-lo", disse.
Apesar de ter sido condenado e preso em 2008, Epstein foi solto no ano seguinte, após fechar um acordo de 13 meses de prisão e inserção do seu nome na lista federal de criminosos sexuais. Mais de uma década depois, em 2019, um juiz da Flórida considerou o acordo ilegal e Epstein foi novamente preso em julho daquele ano, em Nova York.
Um mês após a prisão, Epstein foi encontrado morto em sua cela e a autópsia concluiu que ele tirou a própria vida. O Departamento de Justiça confirmou em julho do ano passado que a causa da morte foi suicídio, após analisar arquivos e vídeos da prisão.