O perigo dos jogos online pode ultrapassar a simples exposição de crianças e adolescentes a riscos, como aponta Sérgio Luiz Oliveira do Santos, delegado especializado em crimes cibernéticos em Pernambuco. As plataformas, como Discord e Roblox, podem servir como incubadoras para que jovens se tornem cibercriminosos.
De acordo com o delegado, o universo dos jogos online facilita práticas ilegais. Jovens iniciantes podem, inicialmente, trapacear ou piratear jogos e, com o tempo, evoluir para fraudes bancárias e crimes mais complexos.
“Os jovens começam com tentativas de trapacear ou piratear jogos e podem evoluir para fraudes bancárias ou crimes mais graves”, destaca Sérgio.
O jogo não apenas oferece entretenimento, mas também uma possibilidade de lucro, levando a ações como venda de itens virtuais. Bruno Vilela, um usuário do Discord, explica que jogos como Counter Strike permitem troca de skins, que podem ter valores significativos.
“Tem quem aprenda a trapacear, a roubar esses itens dentro do jogo, através de programação mesmo ou ao hackear as contas dos outros [usuários]”, afirma Vilela.
O segmento de jogos no Brasil, um dos mais relevantes do mundo, registra milhões de usuários. A Pesquisa Game Brasil de 2025 indica que 36,5% dos jovens de 16 a 30 anos jogam online, confirmando os games como principal plataforma de entretenimento nesta faixa etária.
O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como Lei Felca, instituiu controles mais rígidos para proteger menores de idade, mas Sérgio enfatiza que o envolvimento dos pais é crucial. “Os pais que não estão monitorando seus filhos não podem vê-los sendo aliciados para o crime”, alerta.
Por fim, fica o alerta: as práticas podem se intensificar em ambientes onde a linha entre trapaça e crime é tênue, moldando futuros cibercriminosos.