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08h10 13 Março 2026
Atualizada em 13/03/2026 às 08h10

Coletivo de mulheres quilombolas lança documentário e pede proteção

Por Redação TV KZ

O documentário "Cafuné", lançado na quinta-feira (12) pelo coletivo de mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), traz relatos que evidenciam a necessidade urgente de políticas de proteção eficazes para defensoras dos direitos humanos que residem em comunidades tradicionais no Brasil.

Dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação, o filme integra um projeto maior que será apresentado ao governo federal, com o intuito de sensibilizar o poder público, incluindo o Congresso Nacional.

Proteção coletiva

Segundo Selma Dealdina, articuladora política da Conaq, o objetivo do projeto é que as ações de proteção sejam coletivas e comunitárias. Está prevista uma solenidade no Congresso Nacional para comemorarem os 30 anos de luta da Conaq, além do 3º Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas, programado para maio na região do Gama (DF).

Selma também destacou que o assassinato brutal da ativista Maria Bernadete Pacífico, conhecido como Mãe Bernadete, em agosto de 2023, evidenciou a necessidade de aprimorar os mecanismos de proteção para as lideranças quilombolas, que se tornaram ainda mais temerosas após o crime.

“A nossa ideia é propor ao Estado brasileiro um plano de proteção e autocuidado que seja coletivo. Não só para uma pessoa”, afirma Selma Dealdina.

Ameaça

A Conaq informa que pelo menos 100 mulheres quilombolas estão atualmente sob ameaça. O documentário busca evidenciar os riscos enfrentados por essas mulheres. O projeto contou com a colaboração do Instituto Ibirapitanga e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid).

Vulnerabilidade

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz mostrou que a população quilombola adulta tem uma taxa de mortalidade evitável superior à da população geral. Entre as mulheres, essa taxa é 18% maior para infartos agudos do miocárdio e 38% maior em casos de derrame. Além disso, 55% destas comunidades não têm acesso à água potável, 54% não possuem rede de esgoto e 51% não contam com coleta de lixo.

Compromisso do governo

A secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Élida Lauris dos Santos, reafirmou que as demandas da comunidade quilombola estão alinhadas com as prioridades do governo federal. "Uma das metas do plano nacional é o desenvolvimento mais aprofundado da perspectiva racial e de gênero", afirmou élida, destacando o compromisso do governo em prevenir a violência contra a mulher.

Saúde mental

Cida Barbosa, coordenadora nacional da Conaq, enfatizou que as necessidades das comunidades quilombolas variam conforme as regiões, mas a saúde mental das ativistas é emergencial. "Percebemos uma falta de acesso a apoio psicológico, que continua sendo um atendimento inacessível para nós", finaliza.

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