A Justiça do Ceará aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) e tornou réus nesta segunda-feira (9) quatro pessoas envolvidas em uma campanha de ódio contra Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica.
Os réus são:
Os denunciados atuaram de forma organizada para atacar a honra de Maria da Penha e descredibilizar a lei em seu nome, utilizando perseguições virtuais, fake news e um laudo forjado de exame de corpo de delito para sustentar a inocência de Heredia, já condenado por tentativa de homicídio contra ela.
Os inquéritos indicam que os acusados promoveram cyberbullying e disseminação de conteúdos misóginos, atacando Maria da Penha em sites e redes sociais. Além disso, Alexandre Paiva foi até a residência anterior de Maria da Penha em Fortaleza, onde gravou vídeos.
Marco Heredia foi denunciado por falsificação de documento público, e Alexandre Paiva por stalking e cyberstalking. Zingano e Mantovanelli são acusados de usar documentos falsos, apresentando um laudo adulterado no documentário mencionado, que visava desvirtuar a verdade sobre a condenação de Heredia. O laudo mostrava lesões inexistentes e afirmava que ambos foram vítimas de assaltantes, uma versão desmentida pela perícia.
As investigações foram iniciadas em 2024 pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), resultando na operação “Echo Chamber”. Em duas fases, foram realizadas buscas em outros estados, além de apreensão de documentos que incluíam o laudo adulterado. Devido à gravidade da situação, Maria da Penha foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos pelo MP do Ceará.
Maria da Penha é uma ativista que sofreu dupla tentativa de homicídio em 1983, promovida por seu ex-marido, o que a levou a lutar contra a violência de gênero no Brasil.