Milhares de indígenas de diversas etnias marcham, nesta terça-feira (7), pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Este ato faz parte da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), que teve início no domingo (5) e é considerada a maior mobilização do movimento indígena no Brasil.
Os tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, krikati e gavião, representantes dos 391 povos indígenas que ainda existem, deixaram o palco principal do ATL por volta das 9h30.
Marcha até o Congresso Nacional
Em um dia de calor intenso, o grupo percorreu 6 quilômetros até o Congresso Nacional, que é alvo de críticas por parte do movimento indígena. Os organizadores alegam que muitos deputados e senadores têm aprovado leis que atacam os direitos constitucionais dos povos originários, colocando seus territórios e modos de vida em risco.
As acusações incluem a alegação de que parlamentares e os governos federal e estaduais cedem à pressão do agronegócio, da mineração e de grandes projetos, facilitando a exploração de terras tradicionais por não indígenas.
Pintados e usando roupas tradicionais, os indígenas levaram faixas com frases como: “Congresso Inimigo dos Povos”, “Território Não Está à Venda”, e “Demarcação É Futuro”.
“Nossa marcha é pacífica, mas o Congresso não é pacífico. Ele é inimigo dos povos indígenas”, comentou um membro da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que coordena o ATL.
“Viemos colorir Brasília com a resistência indígena”, declarou o membro da Apib antes do início da marcha.
Críticas ao Marco Temporal
Outro ponto criticado durante a mobilização é o Marco Temporal, tese que só reconhece os direitos territoriais dos indígenas às áreas ocupadas em outubro de 1988, quando a Constituição foi promulgada.
O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional essa tese em 2023. Contudo, em 2025, o Senado aprovou uma proposta que retoma o limite temporal para demarcações indígenas.
A Apib informou que, depois de um período de 4 anos sem novas homologações, entre 2023 e 2025, 20 novos territórios foram reconhecidos, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares.
Os manifestantes pedem que o governo federal reconheça mais terras indígenas.
“Ainda existe um grande passivo de demarcação e um cenário de violência nas terras indígenas que as autoridades não resolveram. Isso nos impulsiona a vir a Brasília e apresentar nossas pautas”, destacou o coordenador da Apib, Dinamam Tuxá.
A ex-presidente da Funai, Joenia Wapichana, enfatizou que os povos indígenas devem “aldear a política” e reivindicou mais recursos para os órgãos de proteção às comunidades indígenas.
“Estamos aqui para mostrar que indígenas podem também ser políticos, parlamentares”, ressaltou Joenia.