Economia Mundial
07h30 19 Janeiro 2026
Atualizada em 19/01/2026 às 07h30

FMI alerta que interferência política em instituições econômicas pode ampliar riscos em 2026

Por Laís Adriana Fonte: Estadão Conteúdo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) listou o risco de interferências políticas em instituições econômicas como um dos principais riscos para a economia global neste ano, em sua atualização trimestral das Perspectivas Econômicas Globais da instituição, divulgada nesta segunda-feira, 19. "A interferência política em instituições econômicas independentes pode aumentar o risco de erros políticos, erodindo a confiança pública", frisou.

No documento, o Fundo destacou como as investigações abertas pelo Departamento de Justiça do governo Trump contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, tiveram efeitos negativos para a recuperação do dólar. O relatório apontou que a independência dos bancos centrais é primordial para a estabilidade macroeconômica e crescimento dos países. "Preservar a independência dos BCs, jurídica e operacional, é crítica para evitar a dominância fiscal, ancorar expectativas de inflação e permitir que alcancem seus mandatos", declarou.

O FMI ponderou que autoridades monetárias também enfrentam a árdua tarefa de conciliar disparidades nas dinâmicas de atividade econômica e de preços, além da explosão em investimentos de tecnologia, que tem elevado o nível dos juros neutros e, por consequência, os requisitos para flexibilizar os juros. Segundo o relatório, este é o caso dos EUA.

As escolhas dos banqueiros centrais são "múltiplas", conforme o FMI, podendo variar entre cortes para apoiar impactos negativos em suas respectivas economias ou mais cautela na leitura de dados para determinar os próximos passos. O relatório projeta que as taxas de juros devem continuar em declínio nos EUA e no Reino Unido, mas em velocidades variadas, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) deixará sua política inalterada. No Japão, os juros devem subir gradualmente.

Do lado fiscal, o Fundo espera políticas mais expansivas na Alemanha, Japão e EUA no curto prazo. Contudo, o documento ressalva que a emissão "pesada" e o apetite dos investidores está remodelando os mercados de dívida rumo a vencimentos de curto prazo, citando como exemplo mudanças de compradores no Reino Unido, nos EUA e em fundos de pensão da Holanda. "A dívida soberana global deve ultrapassar 100% do PIB até o fim da década", aponta.

Para o FMI, isso tem ajudado a segurar o ímpeto de rendimentos mais longos, mas está provocando saltos e ampla volatilidade na ponta curta, impulsionando o uso de liquidez dos BCs. Neste contexto, o Fundo alertou que a inadimplência de empresas ligadas ao mercado de crédito está expondo vulnerabilidades importantes - como estruturas financeiras opacas e governança fraca - e que podem se agravar caso o apetite dos investidores desapareça.

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