O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Nova York por volta das 18h30 deste sábado, 3, após ser capturado por autoridades dos Estados Unidos. A prisão ocorreu durante a madrugada, em Caracas, de acordo com o governo americano.
O avião com o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, pousou na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, em Nova Iorque. Maduro saiu algemado da aeronave e escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais. Ele vestia uma roupa cinza clara.
O Boeing 757-200 do Departamento de Justiça americano saiu da Baía de Guantánamo, em Cuba, e seguiu rumo aos Estados Unidos. O espaço aéreo na região do Caribe foi fechado.
Mais cedo, em entrevista coletiva, o presidente Donald Trump disse que avalia os próximos passos para o país sul-americano. Ele ainda afirmou que os EUA pretendem conduzir o país por meio de um "grupo" que está em formação até uma transição de poder, sem detalhar prazos nem como esse arranjo funcionaria.
Também neste sábado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York.
Segundo Bondi, o ditador venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores - também detida pelas autoridades americanas -, foram formalmente acusados dos seguintes crimes: conspiração para narcoterrorismo; conspiração para tráfico de cocaína; posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; conspiração para posse de metralhadores.
Transmissão 'ao vivo' da captura
Na entrevista, Trump disse ainda que assistiu ao vivo à captura de Nicolás Maduro, transmitida por agentes que participaram da missão em Caracas. "Foi como ver um programa televisivo", afirmou.
O presidente americano declarou que a ação dos EUA na Venezuela estava prevista para ocorrer quatro dias atrás, mas foi adiada por causa de condições climáticas.
Acrescentou que chegou a falar com Maduro uma semana atrás, quando o venezuelano supostamente tentou negociar uma saída pacífica do poder. "Eles quiseram negociar no final, mas eu não queria", disse ele na entrevista.
Transporte por navio
Segundo Trump, Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados em Caracas pelos agentes que participavam da ação dos EUA na Venezuela.
Ambos foram então levados por um helicóptero das Forças Armadas dos EUA até o Iwo Jima, um dos navios de guerra da Marinha dos EUA que estavam posicionados no mar do Caribe desde o fim do ano passado.
A embarcação tem ainda grande capacidade para projetar poder aéreo e terrestre em operações combinadas, contando com helicópteros, aviões e fuzileiros a bordo.
Ação de captura na Venezuela
Após meses de especulações e operações marítimas perto da costa da Venezuela, os Estados Unidos fizeram uma operação de captura neste sábado, 3, em diversos pontos de Caracas e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa.
Mais cedo, o próprio Trump anunciou a ação em suas redes sociais: "Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso uma ação de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, capturado com sua esposa, e retirado do país por via aérea."
De acordo com Trump, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente não informou para onde Maduro e a mulher foram levados.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, diz não saber onde Maduro está e exigiu uma prova de vida para o governo americano.
Uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela, na madrugada deste sábado. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos.
Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.