A Marcha contra a Violência da Mulher e Feminicídio será realizada no dia 28 de março, em Campos Altos/MG, como um ato de conscientização, cobrança e união diante de casos recentes que geraram comoção no município. A mobilização sairá do fórum e seguirá até a praça central da cidade com o lema “Mulher Direito de Viver”.
A ação é organizada pela subseção da OAB de Campos Altos, presidida pela advogada Alba Waleria Henriques Franco, com apoio do Rotary, Interact, Rotakids, Sicoob Crediagro, Sicredi Ibiraiaras RS/MG, Banco do Brasil, Polícia Militar, Secretaria Municipal de Educação e representantes de diversos segmentos da sociedade civil.
Ao explicar o objetivo do evento, Alba disse que a marcha será “um ato de consciência, respeito e de coragem” e também “um grito coletivo contra o feminicídio e contra toda forma de violência praticada contra as mulheres”.
Segundo a presidente da subseção, a iniciativa surgiu a partir da necessidade de união em defesa da vida. Em outro trecho, ela afirmou que a mobilização ocorre “diante de tantas barbáries” e citou, entre os casos que motivaram a ação, os feminicídios de Priscila Teixeira e Margareth.
O caso mais recente mencionado é o de Priscila Beatriz Assis Teixeira, de 38 anos, que morreu após ser ferida na noite de domingo (23), no bairro Camposaltinho, em Campos Altos. De acordo com publicação da TV KZ, a vítima foi socorrida, mas morreu na madrugada de segunda-feira (24). Mais tarde, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso.
Outro caso lembrado por Alba foi o de Maria Margareth Herneques, de 58 anos. De acordo com publicação da TV KZ, ela morreu após ficar 14 dias internada, depois de uma ocorrência registrada em Ponte Nova/MG. A reportagem informou que a família tem ligação com Campos Altos, onde residiu por vários anos, e que o caso é tratado como suspeita de feminicídio. Ainda segundo a publicação, o suspeito é o próprio filho da vítima, que teria a agredido e tentado estrangulá-la, conforme a apuração inicial.
Na fala usada como base da mobilização, Alba também afirmou que o mês de março, marcado pela lembrança das conquistas e dos direitos das mulheres, contrasta com uma realidade de violência. Segundo ela, o que se vê é “um retrocesso covarde e brutal”, em que homens que não sabem lidar com a frustração ou ouvir um não recorrem à agressão e, em casos extremos, ao assassinato.
Além do ato público, a marcha também terá caráter de cobrança. Conforme explicou Alba, ao fim do percurso serão entregues aos vereadores presentes dois pedidos concretos voltados ao fortalecimento do atendimento às mulheres vítimas de violência, com foco em ampliar proteção, acolhimento e políticas públicas efetivas.
“Hoje nossa mensagem é clara, não aceitaremos mais o silêncio, não aceitaremos mais essa violência que vem ocorrendo. Vamos cobrar da sociedade respeito, justiça e compromisso, porque somos mulheres, somos cidadãs e temos o direito fundamental de viver”, afirmou.
Os números nacionais reforçam o alerta. Levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4,7% em relação ao ano anterior. O material também informa que, desde a criação da lei do feminicídio, o país soma 13.703 vítimas.
Outro levantamento, divulgado pela Agência Brasil com base em relatório do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), aponta 6.904 vítimas de feminicídio consumado e tentado em 2025, sendo 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos. Pelo recorte do estudo, isso representa quase seis mulheres mortas por dia no país.
Para Alba, a marcha precisa marcar a cidade. Em outro trecho, ela declarou: “Que essa marcha, ela seja um marco, um marco de união, de consciência e transformação. Basta de violência, basta de feminicídio, porque todas as mulheres temos direito à vida”.