Café
10h13 12 Março 2026

Exportação de café do Brasil cai 23,5% em fevereiro e soma 2,6 milhões de sacas

O relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostra recuo no volume embarcado e na receita cambial em fevereiro de 2026, com pressão maior sobre o café arábica.
Por Redação TV KZ
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As exportações de café do Brasil somaram 2,618 milhões de sacas de 60 kg em fevereiro de 2026, resultado que representa queda de 23,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. A receita cambial no período chegou a US$ 1,062 bilhão, com recuo de 14,7% frente a fevereiro de 2025, segundo relatório divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

No acumulado dos oito primeiros meses do ano-safra 2025/26, o país embarcou 26,038 milhões de sacas, número 22,6% menor do que o registrado em igual intervalo da safra anterior. Apesar da queda no volume, a receita cambial avançou 5,3%, alcançando US$ 10,301 bilhões.

Já no recorte do primeiro bimestre de 2026, as remessas brasileiras ao exterior totalizaram 5,410 milhões de sacas, com recuo de 27,3% na comparação com janeiro e fevereiro de 2025. Em valores, o ingresso de dólares caiu 13%, passando de US$ 2,575 bilhões para US$ 2,241 bilhões.

O que explica a queda

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o cenário de baixa nas exportações neste começo de ano ocorre principalmente por causa do café arábica. Segundo ele, a pressão vem da queda acentuada das cotações na Bolsa de Nova York, da liquidação de posições por fundos, da expectativa de maior oferta na próxima safra, da valorização do real frente ao dólar e de uma oferta brasileira considerada menos competitiva diante de outras origens.

A entidade avalia que a recuperação deve começar pelo conilon, com colheita comercializada a partir de maio. No caso do arábica, a expectativa é de melhora nos embarques a partir de junho, com a chegada da nova safra.

Os principais destinos do café brasileiro

Entre os principais destinos do café brasileiro no primeiro bimestre, a Alemanha liderou as compras, com 786.589 sacas, o equivalente a 14,5% do total exportado. Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 655.998 sacas e participação de 12,1%; a Itália, com 568.598 sacas; a Bélgica, com 331.747 sacas; e o Japão, com 315.816 sacas.

Os tipos de café exportados

O café arábica seguiu como o tipo mais exportado no primeiro bimestre, com 4,423 milhões de sacas, o que corresponde a 81,8% do total embarcado, apesar da queda de 28,9% na comparação anual. O café solúvel apareceu em seguida, com 573.301 sacas e participação de 10,6%.

Já os cafés canéforas, somando conilon e robusta, registraram 408.446 sacas, enquanto o produto torrado e moído teve 5.572 sacas embarcadas.

Os cafés diferenciados e a logística

Os cafés diferenciados, que incluem produtos de qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e especiais, responderam por 19,8% das exportações totais brasileiras no primeiro bimestre, com 1,069 milhão de sacas enviadas ao exterior. O volume ficou 40,7% abaixo do observado no mesmo período do ano passado. A receita com esse segmento foi de US$ 493,5 milhões, com preço médio de US$ 461,74 por saca.

Na logística, o Porto de Santos manteve a liderança nos embarques, concentrando 4,217 milhões de sacas e 77,9% das exportações brasileiras de café no primeiro bimestre. Na sequência aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, com 983.890 sacas, e o Porto de Paranaguá, com 66.954 sacas.

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