Os produtores de cebola de Nova Itália, situada no município de Aurora, em Santa Catarina, realizaram uma manifestação descartando toneladas do produto às margens de uma estrada, em protesto contra os preços baixos.
Um vídeo compartilhado nas redes sociais ilustra a situação com depoimentos e imagens aéreas, mostrando a considerável quantidade de cebola que foi despejada em um terreno, onde o proprietário permitiu a ação para utilizar a hortaliça como adubo no futuro.
A referida manifestação ocorre em meio à crise econômica que afeta os agricultores da área, cuja principal fonte de renda é a cebolicultura. Em resposta à situação, a prefeitura de Ituporanga, próxima a Aurora e reconhecida como a “Capital Nacional da Cebola”, publicou no dia 5 de outubro (quinta-feira) o Decreto nº 0017, estabelecendo um estado de emergência no setor agrícola por um período de 180 dias, passível de prorrogação.
Conforme informações da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente do município, a baixa remuneração tem gerado prejuízos significativos aos agricultores, afetando a renda das famílias que vivem no campo e impactando a economia local.
Os valores da cebola têm apresentado uma queda constante desde o início do segundo semestre de 2023. Em junho de 2023, a saca de 20 quilos (classes 3 a 5) foi comercializada em média a R$ 30,36 em Santa Catarina, enquanto o custo de produção é estimado em R$ 1,67 por quilo.
A queda nos preços que os produtores recebem é atribuída ao excesso de oferta, uma vez que Santa Catarina, sendo o estado líder na produção dessa hortaliça, deve alcançar uma safra recorde em 2023/24, com quase 600 mil toneladas esperadas, um aumento de 7,3% em relação à safra anterior, segundo dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri.
De acordo com Arny Mohr, presidente do Sindicato Rural de Ituporanga, a safra 2023/24 já havia resultado em perdas para os cebolicultores da região. “Entramos na safra 2024/25 em uma situação ainda pior, com o preço sendo apenas 50% do custo de produção da cebola”, afirmou.
Com a promulgação do decreto, a administração de Ituporanga poderá implementar ações administrativas excepcionais para mitigar os efeitos da crise. Isso inclui a priorização de políticas públicas voltadas ao setor, a revisão de prazos administrativos, a ampliação de programas que apoiem a produção, a assistência ao acesso a crédito e a renegociação de dívidas, além da colaboração com os governos estaduais e federais e instituições financeiras.
Segundo a prefeitura, o reconhecimento da emergência permitirá ao município formalizar pedidos de assistência técnica e financeira, assim como subsidiar novos programas e iniciativas focadas na manutenção das atividades rurais e na redução dos impactos econômicos e sociais.
Essa iniciativa visa assegurar a sustentabilidade da produção agrícola, proteger os produtores rurais e minimizar os impactos financeiros sobre a cidade.