A valorização vista no pré-mercado de ações das Bolsas de Nova York é insuficiente para empolgar o Ibovespa no início da sessão desta sexta-feira, 6, de agenda esvaziada de indicadores no País e no exterior. Isso porque o petróleo cai no exterior e o minério de ferro fechou com recuo de 1,23%, em Dalian, na China. Além disso, alertas no balanço do Bradesco sobre inadimplência e aumento de provisões em 2026 reforçam um começo de pregão mais cometido na B3.
Investidores ainda acompanham nesta manhã a entrevista coletiva com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, sobre o Balanço Macrofiscal 2025 e perspectivas 2026. Mello foi indicado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para ocupar uma diretoria do Banco Central, e seu nome não foi bem recebido pelo mercado financeiro.
Questionado sobre o assunto, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda disse que se sente lisonjeado com a indicação de Haddad. Entretanto, disse que não recebeu nenhum convite para o cargo ainda, mas aceitaria se este viesse.
Após abrir na faixa dos 182 mil pontos, o Ibovespa caía para a marca dos 181 mil pontos. Como pontua Rafael Minotto, Analista da Ciano Investimentos, o início da sessão é de um desempenho volátil, oscilando entre a busca de um novo recorde ou um alívio técnico, com investidores que continuam realizando ganhos acumulados das altas do início do ano.
Em meio a sinais de desaquecimento do mercado de trabalho norte-americano, hoje ficam no foco nos Estados Unidos a pesquisa da Universidade de Michigan sobre sentimento do consumidor e expectativas de inflação (12h) do país e discurso do vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Philip Jefferson (14h).
Nesta manhã, os índices futuros indicam abertura positiva das bolsas norte-americanas, após o recuo na véspera, em meio a incertezas com inteligência artificial (IA) e desaceleração do mercado de trabalho nos EUA. Porém, ações da Amazon recuam no pré-mercado dos EUA.
Após subir mais cedo, o petróleo volta a cair em torno de 0,50%. O mercado aguarda desdobramentos da reunião entre representantes dos EUA e Irã em Omã para discutir o programa nuclear iraniano.
No Brasil, como ressalta Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, temas internos dividem as atenções com o quadro global. Por aqui, a decisão do ministro Flavio Dino suspendendo penduricalhos no setor público deve ser bem recebida, especialmente após medida do Congresso nesta semana que elevou benefícios aos servidores do Legislativo.
"Na Bolsa, a reação negativa ao balanço do Bradesco deve pesar, assim como o recuo do minério. Porém, os fluxos estrangeiros e os avanços em Wall Street agem como contraponto, após o índice ter fechado ontem com leve alta aos 182,1 mil pontos", acrescenta em nota o sócio da Tendências.
Na véspera, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 24,7 bilhões em 2025, alta de 26,1% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, o lucro somou R$ 6,5 bilhões, avanço de 20,6% na comparação anual.
A taxa de inadimplência, medida pelas operações com atraso superior a 90 dias, ficou em 4,1% no fim de dezembro, pouco acima dos 4% registrados um ano antes. As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 8,8 bilhões no quarto trimestre, alta de 18,3% em relação a igual período de 2024. Na comparação com o trimestre anterior, houve avanço de 3,1%.
Ontem o Ibovespa fechou em alta de 0,23%, aos 182.127,25 pontos.
Às 10h51 desta sexta, caía 0,18%, aos 181.923,33 pontos, ante recuo de 0,25%, na mínima em 181.668,39 pontos, e abertura em 182.128,21 pontos, com variação zero, nível perto da máxima (182.418,69 pontos, quando subiu 0,16%).
"Não é difícil a Bolsa fechar positiva. Várias commodities metálicas estão subindo, e a única que não sobe é minério de ferro", estima Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain.
Vale era a única ação do segmento metálico a avançar (0,62%). Petrobras tinha viés de baixa, enquanto os papéis de grandes bancos cediam. Bradesco recuava entre 4,24% (ON0 e -4,82% (PN). Itaú Unibanco cedia 0,13%; Banco do Brasil, -2,21%, e Unit de Santander, -3,53%. Já Unit de BTG subia 1,32%.