O dólar acentuou baixa ante o real nesta tarde por ventos externos favoráveis, com carteiras globais diversificando investimentos fora dos Estados Unidos - vide Ibovespa renovando recorde histórico intradia aos 171,9 mil pontos - e maior apetite a risco após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negar uso de força na questão da Groenlândia durante discurso em Davos, e anunciando mais tarde que não aplicará tarifas adicionais à Europa a partir de fevereiro.
No cenário doméstico, pesquisa AtlasIntel apontando menor distância na intenção de votos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro também colaborou para o movimento, conforme o mercado financeiro confia na promessa do filho Bolsonaro de seguir cartilha do ex-ministro Paulo Guedes.
"Uma eventual troca de governo deveria trazer um equilíbrio macroeconômico diferente, deveria passar por um fiscal mais balanceado e os prêmios que mercado ia pedir seriam menores", afirma o gestor de fundos multimercados Marcelo Bacelar, da Azimut Brasil Wealth Management.
Segundo ele, tal leitura decorre da promessa de Flávio Bolsonaro em seguir a cartilha de Guedes (que participou do governo Bolsonaro). "A cartilha de Paulo Guedes era uma cartilha de política monetária mais frouxa e fiscal mais apertado, esse era o modus operandi", afirma.
A mínima de R$ 5,3153 do dólar é inclusive a menor cotação intradia desde 5 de dezembro de 2025, o dia em que foi anunciada a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Por fim, a divisa americana fechou em queda de 1,11%, a R$ 5,3208, no segmento à vista, após máxima de R$ 5,3727 pela manhã.
O desempenho do real esteve alinhado ao de pares emergentes, que apreciaram por conta da diversificação global das carteiras para fora dos EUA, nota o gestor de fundos multimercados da Azimut Brasil Wealth Management, Marcelo Bacelar.
O alívio nos mercados ocorre porque "Trump foi claro em Davos de que não vai usar força na questão da Groenlândia", acrescenta o diretor de Análise na Zero Markets Brasil, Marcos Praça.
Por volta das 16h30 Trump publicou na rede Truth Social que não colocará tarifas sobre a Europa que estavam previstas a partir de 1º de fevereiro, fator que deu força ao dólar contra moedas fortes. Ainda assim, a queda superior a 1% da divisa americana contra o real se manteve, inclusive com o contrato para fevereiro renovando mínima intradia.
Outro fator de atenção para o mercado foi o julgamento da diretora do Federal Reserve (Fed) Lisa Cook. Por fim, a Suprema Corte dos EUA indicou que tende a manter Cook no cargo, diminuindo pressão de Trump no banco central americano.