Economia
20h30 29 Abril 2026
Atualizada em 29/04/2026 às 20h30

Entidades do setor produtivo cobram cortes maiores da Selic

Por Redação TV KZ

A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e representantes sindicais. Segundo elas, essa diminuição não apresenta impacto significativo nas áreas de investimento, consumo e renda.

A Selic, que agora está em 14,50% ao ano, ainda mantém a pressão sobre a economia, conforme análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a entidade, essa nova taxa permanece alta e prejudica a competitividade do setor produtivo, inviabilizando projetos que poderiam alavancar o crescimento.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI.

A CNI também apontou um crescimento do endividamento entre empresas e famílias, fator que enfraquece a saúde financeira da economia.

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também expressou insatisfação em relação ao corte da Selic, afirmando que uma redução mais significativa poderia ter sido realizada. Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, destacou o impacto negativo do atual nível de juros sobre a atividade econômica, resultando em um aumento do endividamento das famílias e das pessoas jurídicas.

“Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também,” afirmou Queiroz.

A APAS enfatiza que a presente taxa de juros favorece o capital especulativo em detrimento do investimento no setor produtivo.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) criticou o ritmo lento da queda da Selic, afirmando que a política monetária impacta diretamente a renda da população, especialmente em um contexto de endividamento elevado. Juvandia Moreira, presidenta da entidade, classificou a redução como insuficiente.

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme,” declarou Juvandia.

A Força Sindical também se posicionou contra a decisão do Banco Central, destacando as consequências negativas sobre o crescimento do país e a geração de empregos.

As entidades do setor produtivo, do comércio e das centrais sindicais convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acentuada da taxa de juros, uma vez que o atual nível da Selic ainda impõe barreiras significativas ao crescimento econômico e ao acesso ao crédito no Brasil.

VEJA TAMBÉM