Economia
19h00 08 Janeiro 2026
Atualizada em 08/01/2026 às 19h00

Taxas de juros curtas sobem em outro pregão de baixa liquidez, à espera do IPCA de sexta

Por Arícia Martins Fonte: Estadão Conteúdo

O pregão desta quinta-feira, 08, marcou mais um dia - o quarto seguido - de pouca movimentação e liquidez escassa nos juros futuros negociados na B3, na medida em que a produção industrial, já considerada um dado defasado, veio exatamente em linha com o esperado - com variação nula em novembro - e teve impacto neutro sobre a curva a termo.

Os trechos curtos deixaram a relativa estabilidade observada na primeira parte da sessão e passaram a registrar máximas intradia por volta das 14h30, mas a alta não passou de 4 pontos-base, com o mercado à espera do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do relatório oficial de empregos dos Estados Unidos de dezembro - o payroll. Ambos os dados serão conhecidos nesta sexta-feira, 08.

Já os vértices intermediários e longos seguiram negociados em patamar bem próximo dos ajustes anteriores. Nessa parte, o leilão inaugural de Notas do Tesouro Nacional - Série (NTN-F) para janeiro de 2037, ocorrido nesta quinta, exerceu pressão sobre a curva em um primeiro momento, mas sem perdurar, uma vez que o Tesouro reduziu as quantidades ofertadas de outros vencimentos para contrabalançar o risco total ao mercado.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,681% no ajuste de quarta-feira para 13,725%. O DI para janeiro de 2029 oscilou de 12,994% para 13,010%. Em sentido oposto, o DI para janeiro de 2031 marcou 13,32%, vindo de 13,346% no ajuste.

"Amanhã teremos a publicação do IPCA e do payroll nos Estados Unidos, que deve mexer na parte da moeda. Sexta será o dia importante", afirma Marcelo Bacelar, gestor de fundos multimercados da Azimut Brasil Wealth Management, para quem não houve nenhum gatilho relevante para os DIs nesta quinta.

Para o economista de uma grande tesouraria ouvido pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a elevação nos trechos mais curtos da curva pode ter sido motivada por operadores se preparando para um resultado maior que o esperado do indicador oficial de inflação de dezembro. A mediana do Projeções Broadcast indica aumento de 0,33% no mês passado, e de 4,27% no acumulado de 2025. "Até achamos que o dado vai ser bom, mas a alta dos DIs curtos pode ser gente com medo", disse.

Bacelar acredita que o dado de janeiro terá mais peso para determinar preços no mercado de juros futuros. O índice do mês atual deve trazer informações de importância aos investidores, avalia, como o nível dos reajustes de mensalidades escolares, que pertence ao grupo de serviços, e também se a Petrobras vai, de fato, reduzir os preços da gasolina nas refinarias, com as cotações nacionais acima do Preço de Paridade Importação (PPI).

Nos Estados Unidos, a curva dos Treasuries mostrou discreta abertura, corrigindo parte da queda da sessão de quarta, em um comportamento que pouco afetou as taxas futuras locais. Segundo o gestor da Azimut, os títulos soberanos americanos estão perdendo força como condutores do mercado de renda fixa brasileiro, uma vez que as questões que devem movimentar as taxas daqui em diante são domésticas.

"Os Treasuries estão afetando menos os juros locais e isso deve continuar, porque temos uma dinâmica muito particular aqui. Há um debate sobre o nível do juro neutro, se o BC vai começar a cortar a Selic em janeiro ou março... os motivos internos são suficientes para que o mercado não precise pegar os Treasuries como referência", avalia. Em sua visão, há uma chance de apenas 20% de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de afrouxamento do juro básico já neste mês, com 80% de probabilidade na reunião do terceiro mês do ano.

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