A realização de dois megablocos de pré-carnaval neste domingo, 8, na Rua da Consolação, região central da capital paulista, acabou causando confusão, tumulto, atrasos e relatos de pessoas prensadas contra grades de contenção. Alguns foliões passaram mal e precisaram ser socorridos por bombeiros civis que acompanhavam o cortejo.
O problema começou com o desfile do bloco de carnaval Skol, que tem como principal atração o DJ escocês Calvin Harris. Ele precisou ser paralisado pouco depois de iniciar seu desfile, no início da tarde. Segundo a organização do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, que desfilaria a partir das 14 horas também na Rua da Consolação, o início do desfile atrasou duas horas por conta dessa confusão.
"É uma falta de respeito com a tradição da cidade", criticou Alê Youseff, fundador e organizador do Acadêmicos do Baixo Augusta, que está em seu 17º desfile de pré-carnaval. Ainda segundo ele, a Prefeitura de SP foi avisada de que o Baixo Augusta costuma levar cerca de 1,5 milhão de pessoas às ruas, e que o bloco de Calvin Harris também deveria arrastar multidões.
Ainda segundo Youssef, colocar um "bloco de ocasião" onde já desfila um dos maiores blocos de São Paulo "é uma coisa insana, um desafio de produção gigante".
Para ele, liberar dois blocos desse tamanho, um em seguida do outro, mostra que a Prefeitura de São Paulo não entende nada de carnaval. "Não sabem como descer nem como respeitar o público para que todos se sintam seguros e confortáveis", disse, em cima do trio elétrico ao Estadão. "Eles colocaram o bloco anterior no nosso território", critica.
Mesmo assim, o atraso não comprometeu o cortejo do Baixo Augusta. Segundo Youssef, a produção vai conseguir finalizar o trajeto a tempo. A previsão de encerramento é às 19h.
Tumulto e foliões passando mal
O bloco de carnaval Skol, com Calvin Harris, estava previsto para ter início às 11h30 com a apresentação dos artistas brasileiros Nattan, Xand Avião, Felipe Amorim e Zé Vaqueiro na esquina da Rua da Consolação com a Rua Pedro Taques. O DJ escocês fecharia o bloco com um show a partir das 14 horas.
Pouco depois das 12 horas, no entanto, o bloco parou de andar, houve empurra-empurra e alguns foliões passaram mal. Foi quando os artistas decidiram interromper a apresentação diversas vezes.
O Estadão contatou a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a assessoria de imprensa do bloco de carnaval Skol, mas todos informaram que não foi registrada nenhuma ocorrência de maior gravidade. A PM disse apenas que ampliou o efetivo enviado ao bloco por causa da superlotação, mas não informou quantos policiais acompanhavam o evento.