O júri do Caso Henry, o mais longo da história do Rio de Janeiro, entra no décimo dia nesta quarta-feira (3). As próximas horas serão dedicadas à fase de debates, onde acusação e defesa expõem seus pontos de vista sobre provas e testemunhos. A sessão começou pouco antes das 10h30 e deve durar cerca de dez horas. A expectativa é que o veredito seja anunciado na noite de hoje ou na madrugada de quinta-feira (4).
O vereador cassado Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e a ex-companheira dele, Monique Medeiros Costa e Silva, são réus pela morte do filho dela, Henry Borel, que tinha apenas 4 anos, em 8 de março de 2021. Segundo a acusação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o garoto morreu após sofrer agressões de Jairinho, enquanto Monique teria sido omissa, contribuindo para a morte. O laudo cadavérico apontou como causa da morte uma laceração hepática provocada por ação contundente.
O julgamento começou no último dia 25 e prosseguiu, sem interrupções, exceto para refeição e necessidades fisiológicas dos sete jurados, que representam a sociedade. O Conselho de Sentença, formado por cinco homens e duas mulheres, será responsável pela decisão final. Se as partes utilizarem todo o tempo permitido, os debates devem durar até dez horas.
No debate, o Ministério Público fará a acusação, seguido pelo assistente de acusação, Leniel Borel, pai de Henry, e as defesas terão uma hora e 30 minutos para seus argumentos. Após dois turnos de réplica e tréplica, o Conselho de Sentença responderá a perguntas objetivas feitas pela juíza Elizabeth Machado Louro.
Os réus, que negam qualquer responsabilidade pela morte de Henry, foram interrogados na terça-feira (2), após a audiência ouvir 22 testemunhas. Monique alega que não sabia das supostas agressões, enquanto Jairinho sustenta que a lesão do garoto pode ter sido causada por um acidente anterior ou por procedimentos médicos. A expectativa é que a decisão dos jurados seja conhecida ainda hoje ou na madrugada de quinta-feira, podendo ocorrer um descanso prévio dos réus antes de responderem ao questionário que determinará o veredicto.
Em caso de condenação, os réus serão levados à prisão imediatamente, embora existam possibilidades de recorrer posteriormente em certas situações.