A polilaminina, substância em fase de testes, tem chamado atenção por sua potencial aplicação no tratamento de lesões medulares. Desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em colaboração com a farmacêutica Cristália, a pesquisa ainda necessita de respostas para confirmar a eficácia da substância na recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular.
Os estudos têm sido liderados pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho, que iniciou suas investigações há mais de 25 anos. A pesquisa abrangeu desde os testes laboratoriais de segurança até a realização de um estudo-piloto com oito indivíduos que sofreram lesões graves na medula. Dos participantes, cinco mostraram progresso motor, ainda que isso não signifique uma recuperação total.
Os avanços foram monitorados pela escala AIS, que indica o grau de comprometimento motor, e os resultados foram encorajadores, especialmente no que diz respeito à recuperação de sensibilidade e movimento em partes do corpo. Essa melhoria indica que a polilaminina tem potencial, mas mais estudos são necessários para confirmar sua eficácia em humanos.
Os ensaios clínicos da polilaminina estão divididos em três fases. A primeira consiste em testar a segurança em um grupo pequeno de pacientes. Para a segunda fase, a equipe avalia diferentes dosagens e, na terceira, a eficácia será comparada ao tratamento padrão. A pesquisa deve durar cerca de dois anos e meio.
Se confirmada a eficácia da polilaminina, a ciência brasileira pode dar um passo significativo para oferecer novas esperanças a milhões de pessoas afetadas por lesões medulares.