O Papa Leão XIV, ávido tenista e fã de esportes, marcou o início dos Jogos Olímpicos de Inverno nesta sexta-feira, exaltando os valores positivos do esporte e do jogo limpo, ao mesmo tempo em que alertou que a busca por lucros e desempenho corre o risco de corromper o esporte por completo.
Em uma mensagem intitulada "Vida em Abundância", divulgada no mesmo dia da cerimônia de abertura em Milão -Cortina, Leão traçou a história de filósofos e papas cristãos que identificaram o esporte e as atividades de lazer como benéficos para o desenvolvimento físico e espiritual. E reiterou seu apelo para que os líderes mundiais respeitem a antiga tradição de uma trégua olímpica.
Mas, baseando-se em sua própria experiência como atleta, Leão aprofundou-se em uma análise do valor do esporte e do risco quando a "ditadura do desempenho", representada pelo doping, manipulação de resultados e outras formas de corrupção, prevalece sobre o jogo limpo.
"Tal desonestidade não só corrompe as próprias atividades esportivas, como também desmoraliza o público em geral e mina a contribuição positiva do esporte para a sociedade como um todo", alertou o pontífice.
Ele pediu que o esporte fosse acessível, especialmente para pessoas pobres e mulheres, e que os torcedores evitassem transformar a competição em uma religião fanática. Os atletas também, disse ele, devem evitar o narcisismo e a obsessão com sua imagem e sucesso.
"O culto à imagem e ao desempenho, amplificado pela mídia e pelas plataformas digitais, corre o risco de fragmentar a pessoa, separando corpo, mente e espírito", afirmou.
O verdadeiro esporte, disse ele, exige um "acordo ético compartilhado" entre os competidores, quando as regras do jogo são aceitas e a integridade da competição é respeitada. "Aceitar os limites do próprio corpo, os limites do tempo e da fadiga, e respeitar as regras estabelecidas significa reconhecer que o sucesso vem da disciplina, da perseverança e da lealdade."
ESPORTISTA
Os papas têm uma longa história de envolvimento com o mundo esportivo para promover valores de paz, solidariedade e amizade, e os Jogos Olímpicos oferecem oportunidades regulares para relembrar a antiga tradição da trégua olímpica.
No domingo, o Papa pediu uma trégua olímpica para acompanhar os Jogos, especialmente os líderes mundiais a aproveitarem a oportunidade dos Jogos para "fazer gestos concretos de distensão e diálogo".
O norte-americano Leão, de 70 anos, é notoriamente esportivo: ele joga tênis e nada religiosamente em sua casa de campo, onde vai de segunda a terça-feira todas as semanas, e é fã de longa data do time de beisebol Chicago White Sox.
Antes de se tornar Papa, o então cardeal Robert Prevost também se exercitava na academia Omega, na região do Vaticano, duas a três vezes por semana, com sessões de uma hora focada principalmente em postura e saúde cardiovascular, de acordo com seu preparador físico na época. Os treinos de Prevost, descritos como adequados para um homem na faixa dos 50 anos, duravam até uma hora e se concentravam principalmente na esteira e na bicicleta ergométrica, disse o preparador físico Valerio Masella.
Quando Leão foi eleito, o Aberto da Itália estava em andamento e uma de suas primeiras audiências foi com o ex-número 1 do tênis italiano, Jannik Sinner, que lhe presenteou com uma raquete.
Em sua mensagem de sexta-feira, Leão se baseou em sua experiência como tenista, destacando os benefícios culturais e espirituais da chamada "experiência de fluxo", de ser desafiado além do próprio nível, algo que tanto fãs quanto jogadores podem vivenciar em um rali prolongado.