Futebol
23h00 20 Fevereiro 2026
Atualizada em 20/02/2026 às 23h00

Presidente do Conselho do São Paulo tem nome usado em esquema de ingressos no MorumBis

Por Leonardo Catto Fonte: Estadão Conteúdo

Mais uma vez, um áudio levanta suspeitas sobre alguma figura do São Paulo. Agora, uma gravação que aponta para venda irregular de ingressos cita o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior.

O material aponta Lucca Monteiro Borzani, filho de Felício Borzani Neto, amigo de Olten, negociando ingressos na tribuna do Conselho, em nome do dirigente. Ele não respondeu à reportagem. Já Olten disse que não tinha conhecimento da situação e que irá levar o caso às autoridades policiais.

"Olten Ayres é meu tio, nem posso dar golpe, nunca dei golpe em ninguém, se não eu que me queimo também. O Olten é presidente do Conselho Deliberativo, ele é minha pessoa de confiança, da minha família, e eu sou pessoa de confiança dele, ele me dispõe os ingressos", diz um trecho da gravação, revelada pelo UOL.

"E sobre dar os ingressos pessoalmente, mano, só daria os ingressos pessoalmente se me encontrassem no meu camarote. Eu não vou sair rodando o Morumbi, que é gigantesco, para caçar alguém para dar ingresso, desculpa. Ou me encontra no camarote, já que tem esse receio aí de ser golpe, enfim, até entendo, mas não é", completa, citando o camarote térreo. O espaço é destinado a conselheiros e convidados e não tem venda ao público. Os ingressos para o local apresentam aviso de venda proibida.

Em outro áudio, Lucca deixa claro que se trata de uma venda. "O preço é aquilo que te falei, não dá para precisar porque não é um preço fixo, depende muito da demanda e da relevância do jogo, então varia. A comida é de tudo, tem de tudo lá: sanduíche, bolo, hot-dog, doces... você pega o que você quiser lá, tem de tudo. E bebida só não tem alcoólica, de resto tem refri, sucos, tem tudo!", disse.

Também conforme o UOL, desde 2024, há ingressos vinculados a Olten que foram vendidos. A partir de 2025, não houve mais a necessidade de QR Code, já que foi implementada a biometria facial. A entrada, então, passou a ser vinculada ao CPF de quem utilizava o ingresso.

Olten confirmou que é amigo de Felicio há 40 anos e que lhe dava seus ingressos. "Cedi alguns dos meus ingressos para ele ir a jogos. Às vezes, ele cedia esses ingressos ao filho dele (Lucca), que tentou comercializar. Ele (Lucca) descreve um grau de intimidade comigo que ele não tem. Eu não tinha conhecimento disso. Fiquei absolutamente chocado, o pai dele também", disse ao Estadão.

Além desta situação, Chris Massis, filha do atual presidente, Harry Massis Júnior, é acusada por outra venda irregular de entradas. Um áudio em que ela cita um possível esquema foi analisado pelo Conselho Consultivo do clube. Uma investigação interna será feita.

Na gravação atribuída a Chris e à qual o Estadão teve acesso, ela nega venda de ingressos. Chris teria dito, no áudio, que repassou o dinheiro a "uma senhora que ela ajuda" e afirma que uma terceira pessoa teria tentado envolvê-la em um esquema de cambismo.

Ainda antes dos dois casos, foi revelada a exploração clandestina do camarote 3A, conhecido como Sala da Presidência. O caso veio à tona a partir de uma gravação de Rita de Cássia Adriana Prado, que intermediava a venda do local, com os ex-diretores Douglas Schwartzmann e Mara Casares.

Essa situação motivou a abertura de um inquérito policial que apura se o São Paulo foi lesado. Foi isso também um dos motivos do pedido de impeachment de Júlio Casares, afastado pelo Conselho Deliberativo e que renunciou antes do fim do processo.

Em reunião do Conselho Consultivo nesta sexta-feira, Harry Massis propôs a formulação de uma nova política para entradas cortesia. Inicialmente, o número de entradas disponíveis vai ser reduzido. Não foram detalhadas outras mudanças.

VEJA TAMBÉM